
A Justiça aceitou denúncia e seis pessoas, entre servidores e empresários, viraram réus em ação que investiga improbidade administrativa por suposta contratação ilegal da Pirâmide Central Informática por parte do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul).
O processo é resultado da Operação Antivírus, deflagrada em agosto de 2017, que mirou em convênios com o Detran (Departamento Estadual de Trânsito).
Contratada por R$ 9.416.669,00, a empresa não teria qualificação para assumir o serviço na Corte Fiscal, segundo o MPE-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que propôs a ação no começo de 2019. Os seis teriam praticado “advocacia administrativa, tráfico de influência e corrupção do Tribunal de Contas”.
Por não constatar elementos que descartem a existência de improbidade administrativa, o juiz David de Oliveira Gomes Filho, resolveu aceitar a denúncia. “Ambos os lados fazem alegações robustas e, até pela gravidade das acusações, é preciso abrir espaço para que as provas sejam produzidas e para que o debate se aprofunde no esclarecimento do que, realmente, aconteceu”, diz o magistrado no despacho.
De acordo com os autos, os servidores Parajara Moraes Alves e Sérgio de Paiva teriam recebido propina para que a contratação ocorresse. Sérgio de Paiva, assessor de Pajajara, foi apontado como alguém que “possuía livre trânsito naquele Tribunal, mesmo não sendo servidor”.
José Patrocínio, Fernando Daga e Anderson Campos eram os sócios da Pirâmide e “se beneficiaram da contratação”. Já Luiz Alberto Oliveira Azevedo é apontado na ação como sócio informal e quem teria orientado os demais “sobre a necessidade de qualificar a empresa para contratos com a Administração Pública”. Ele também seria quem fazia o elo da empresa com os servidores da Corte Fiscal.
De um capital de giro em R$ 5 mil, a Pirâmide passou a ter R$ 500 mil, pouco tempo antes de ganhar contrato de R$ 9,4 milhões no TCE, ainda de acordo com a denúncia protocolada pelo MPE, agora aceita ela Justiça. “Até o ano de 2016, ela nunca teria contratado com a Administração Pública e não há notícia de que tivesse feito qualquer outro tipo de contratação (estava paralisada)”.
Ainda, os sócios teriam falsificado notas de prestação de serviços para a Digitho Brasil Soluções, que seria de José do Patrocínio e Anderson Campos. Com o atestado falso de capacidade técnica, a Pirâmide teria sido contratada pelo TCE e também pelo Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de MS) – o caso deste órgão é apurado em outra investigação.
Durante buscas autorizadas pela Justiça, o MP encontrou R$ 89.420,00 em dinheiro em uma gaveta de Parajara, no TCE, e mais R$ 16.000,00, em dinheiro, em sua residência. Sérgio Paiva, servidor que teria livre acesso na Corte Fiscal, receberia R$ 15.000,00 por mês, como propina, por meio de duas empresas que recebiam da Pirâmide.
Mín. 9° Máx. 16°