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Dono de grupo de comunicação se torna réu por organização criminosa e fraude em licitação

Nove pessoas são acusadas por esquema de corrupção e podem pegar penas que superam 40 anos de prisão

05/05/2026 às 09h16
Por: Tribuna Popular Fonte: Midiamax
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Eli Sousa foi preso por agentes do Gaeco e levado para a Depac-Cepol. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)
Eli Sousa foi preso por agentes do Gaeco e levado para a Depac-Cepol. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

A Justiça aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réu grupo de 9 pessoas acusadas de envolvimento em fraudes em licitações em , a 30 km de .

Conforme decisão do juiz Valter Tadeu Carvalho, o grupo seria liderado pelo empresário da comunicação Francisco Elivaldo de Souza, o Eli Souza, do grupo Impacto Mais. Ele foi denunciado por integrar e liderar a organização criminosa e pelo crime de fraude em licitação por 4 vezes, ou seja, as penas somadas podem ultrapassar os 40 anos, caso condenado.

Também tornaram-se réus:

  • Geraldo Alves Pereira – empresário;
  • Vanessa Guimarães Pereira – filha de Geraldo que administrava parte dos negócios do pai;
  • Cleuza Maria Seixas Guimarães – esposa de Geraldo e empresária;
  • Eudmar Rogers Nolasco de Faria – diretor comercial do grupo Impacto;
  • Antônio Henrique Ocampos Ribeiro – empresário;
  • Leandro de Souza Ramos – empresário;
  • Geraldo Alves Pereira – empresário;
  • Francisco das Chagas Veras do Nascimento – empresário;
  • Neide Rodrigues Ferreira – empresária.

Somente em relação ao denunciado Antonio Henrique Ocampos o processo foi arquivado, a pedido do MP, após a conclusão das investigações. Assim, ele deixa de ser alvo.

Ao aceitar a denúncia oferecida pelo MP, o juiz entendeu haver indícios dos crimes apontados.

Atualmente, apenas Eli Souza e Francisco das Chagas estão presos. Eli teve recente pedido de liberdade negado, na semana passada.

Operações foram deflagradas simultaneamente pelo Gaeco e pela Promotoria de Justiça de Terenos. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

Defesas

Apontado como o líder da organização criminosa, Eli Sousa se manifestou no processo tentando descaracterizar as acusações, alegando que a denúncia não descreve como essa suposta organização funcionaria com hierarquia, lucro auferido e divisão de tarefas.

Narrou ainda que o MP não teria conseguido provar os vínculos entre os denunciados e que há ausência de provas robustas. Então, pediu que a denúncia fosse considerada inepta, além de perícia grafotécnica em documentos apontados como fraudados.

Já a empresária Neide Ferreira negou as acusações e disse que as provas apresentadas não são suficientes para condenação.

Nos autos, consta que a defesa de Vanessa Guimarães aponta não haver fato concreto a respeito da ré, alegando que a única ‘prova’ apresentada seria uma declaração do pai (Geraldo) dizendo que ela é quem administra a parte financeira da empresa, o que seria uma declaração genérica e aberta.

A defesa de Eudmar Rogers alegou no processo que a denúncia do MP se vale de acusações genéricas, sem apontar o que cada réu teria feito com clareza. Além disso, o réu diz que as acusações se baseiam, em grande parte, em conversas de dispositivos eletrônicos, e que isso não seria suficiente para comprovar a participação dele nos crimes.

Os demais réus não se manifestaram ainda.

Grupo Impacto estava em processo de venda para Dákila

No período das investigações, o grupo de comunicação Impacto Mais (CNPJ 15.917.305/0001-30) estava em processo de venda para o Ecossistema Dakila, que tem como proprietário o empresário Urandir Fernandes de Oliveira.

Apesar de afirmar que reportagens que ligam ele ao grupo Impacto seriam fake news, nota enviada pelo próprio jurídico do grupo Dakila confirma a aquisição de empresas de comunicação de Eli Sousa.

Conforme apurado pela reportagem, o processo de aquisição do grupo Impacto pelo Dakila começou em dezembro de 2024, quando Urandir abriu novo CNPJ — único sócio — com o nome Dakila Impacto Comunicação Ltda. (CNPJ 58.307.643/0001-62), aberto com capital social de R$ 700 mil.

Desde o início de 2025, o nome de Urandir Fernandes e seu novo CNPJ (Dakila Comunicação) constam no expediente da revista Impacto, sendo que o dono do Dakila aparece como presidente.

Apesar da publicação, a Dakila nega que Eli Sousa e Rogers Nolasco sejam funcionários. “Os Srs. FRANCISCO ELIVALDO DE SOUSA e EUDMAR ROGERS NOLASCO DE FARIA mencionados em notícias relacionadas à investigação conduzida por órgãos de controle, não integram o quadro funcional, tampouco exercem qualquer papel de governança, gestão, comando, direção ou decisão dentro do Grupo Dakila ou BDM Digital.”

A reportagem confrontou novamente o jurídico de Dakila sobre a edição da revista Impacto já sob o comando de Urandir, relacionando o nome dos investigados a uma publicação sob a batuta de Dakila. A equipe também apresentou as declarações de Nolasco à Justiça, em que afirmou ser funcionário de Urandir.

Então, a assessoria Dakila enviou nova nota afirmando que “Nolasco atuou na Dakila no passado, mas foi desligado, em conformidade com as melhores práticas de governança corporativa”.

Sociedade

Francisco é sócio do empresário Urandir Fernandes de Oliveira na empresa BDM Dourado Digital Gestão de Ativos Ltda. (CNPJ 37.992.346/0001-23).

Urandir é proprietário da empresa Dakila Comunicações, que tem como sede um imóvel ao lado da casa de Francisco, no Carandá Bosque. O edifício passa por reforma.

Conforme apurado pela reportagem, a Dakila Comunicação, fundada em 2024, adquiriu o referido imóvel do grupo Impacto.

Apesar disso, nem Urandir, nem o grupo Dákila estão sendo investigados.

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