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Ex-gerente de banco vira réu por suposto desvio milionário em financiamentos rurais

MPF aponta prejuízo superior a R$ 2,3 milhões e acusa ex-gerente de utilizar dados de correntistas sem autorização para obtenção de crédito fraudulento

08/06/2026 às 10h31
Por: Tribuna Popular Fonte: Da Redação
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Agência do Banco do Brasil em Guia Lopes da :Laguna. (Foto: Google Street View)
Agência do Banco do Brasil em Guia Lopes da :Laguna. (Foto: Google Street View)

A Justiça Federal deu andamento à ação penal que apura um suposto esquema de fraudes em financiamentos rurais envolvendo um ex-gerente da agência do Banco do Brasil de Guia Lopes da Laguna. O bancário Delfino Martins da Silva foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) sob acusação de utilizar dados de correntistas sem autorização para contratar operações de crédito e desviar recursos da instituição financeira.

De acordo com a denúncia, os fatos teriam ocorrido entre os anos de 2014 e 2016 e envolvido 26 operações de financiamento rural. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 2,3 milhões.

Segundo o MPF, o então gerente utilizava seu acesso aos sistemas internos do banco para cadastrar financiamentos em nome de clientes da agência sem o conhecimento ou autorização dos titulares. Os recursos liberados seriam posteriormente transferidos para contas de terceiros e para uma empresa apontada pelas investigações como uma das principais destinatárias dos valores.

Durante a apuração, diversos correntistas ouvidos pelas autoridades afirmaram que nunca solicitaram os financiamentos nem assinaram documentos relacionados às operações investigadas. A acusação sustenta ainda que o dinheiro teria sido distribuído entre diferentes contas bancárias antes de chegar aos destinatários finais, mecanismo que, segundo os investigadores, teria sido utilizado para dificultar o rastreamento dos recursos.

A defesa do ex-gerente pediu a rejeição da denúncia e a absolvição sumária do acusado, argumentando que não há comprovação de enriquecimento ilícito e que os valores investigados teriam sido destinados a terceiros. Também foi solicitada a realização de uma nova perícia para análise detalhada da movimentação financeira.

Ao analisar o caso, o juiz federal Felipe Alves Tavares entendeu que existem elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal. Na decisão, o magistrado destacou a existência de registros internos da instituição financeira, laudos periciais e depoimentos de clientes que sustentam a investigação nesta fase processual.

Com a manutenção do processo, a Justiça marcou para os dias 28 e 29 de outubro de 2026 as audiências de instrução e julgamento. Nesta etapa serão ouvidas testemunhas e realizado o interrogatório do acusado.

A ação ainda está em fase de instrução, e o mérito das acusações será analisado ao longo do processo. Conforme prevê a legislação brasileira, o réu permanece amparado pelo princípio da presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

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