
Nova estratégia do Ministério da Saúde prevê ampliação do cuidado humanizado, novos serviços e reforço financeiro para qualificar a rede materna e neonatal no Estado
Mato Grosso do Sul avança na implantação da Rede Alyne, estratégia nacional do Ministério da Saúde que substitui e amplia a antiga Rede Cegonha, com foco na qualificação da assistência materna e infantil. A proposta prevê novos serviços especializados, ampliação do financiamento e fortalecimento da atenção humanizada à gestante, puérpera, recém-nascido e criança em todas as regiões do Estado.
A iniciativa surge como resposta aos desafios persistentes relacionados à mortalidade materna e neonatal no país e propõe uma reorganização da rede de cuidados, com integração entre atenção primária, maternidades, ambulatórios especializados e serviços neonatais.
Novos serviços e ampliação da rede

Em Mato Grosso do Sul, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) elaborou, junto aos municípios, o PAR (Plano de Ação Regional) da Rede Alyne, documento que reúne as necessidades regionais e as propostas de habilitação dos novos serviços.
Entre as habilitações já aprovadas pelo Ministério da Saúde estão a AGPAR (Ambulatórios especializados para gestação e puerpério de alto risco) em Campo Grande, Dourados, Jardim e Três Lagoas. Os serviços terão atuação multiprofissional e serão referência para acompanhamento de gestantes com maior risco de complicações, fortalecendo a prevenção de óbitos maternos e complicações na gestação.
Também foram aprovados ambulatórios de seguimento para recém-nascidos e crianças egressas de unidades neonatais em Aquidauana, Jardim, Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas. A proposta é garantir acompanhamento especializado após a alta hospitalar, contribuindo para o desenvolvimento infantil e o cuidado contínuo das crianças de maior vulnerabilidade.
Outro avanço previsto é a implantação de Centros de Parto Normal intra-hospitalares em Sidrolândia, Dourados e Três Lagoas. Os espaços são voltados ao atendimento humanizado de gestantes de baixo risco, com incentivo ao parto normal e redução de intervenções desnecessárias.
Segundo a gerente da Rede Alyne em Mato Grosso do Sul, Helena Chulli Vieira, a implantação da estratégia representa um avanço importante na organização da assistência materno-infantil no Estado.
“A Rede Alyne fortalece uma linha de cuidado mais integrada, humanizada e regionalizada. O objetivo é garantir que mulheres e crianças tenham acesso a um atendimento mais qualificado, desde o pré-natal até o acompanhamento da criança após o nascimento, respeitando as necessidades de cada território”, destaca.
Mais recursos e fortalecimento da assistência
A Rede Alyne também traz atualização dos valores de financiamento de diversos componentes da rede materno-infantil, incluindo leitos de UTI neonatal, unidades intermediárias neonatais, leitos de gestação de alto risco, bancos de leite humano e casas de apoio para gestantes, bebês e puérperas.
Entre as mudanças está o aumento do incentivo para exames de pré-natal, que passa de R$ 55 para R$ 144,35 por gestante acompanhada, além da inclusão de novos exames e testes rápidos. O programa prevê ainda ampliação do acesso ao ultrassom obstétrico e fortalecimento do cuidado neonatal, especialmente para recém-nascidos prematuros e de baixo peso.
A estratégia inclui também financiamento para transporte inter-hospitalar especializado e fortalecimento dos complexos reguladores, com foco em atendimentos obstétricos e neonatais de urgência, garantindo maior agilidade e segurança nas transferências.
Para a coordenadora da Saúde da Mulher, Criança e Maternidade da SES, Renata Meireles, os investimentos representam um reforço importante para os municípios e para a assistência prestada às famílias.
“Além da ampliação dos serviços especializados, a Rede Alyne traz um olhar voltado para a qualidade do cuidado, para a redução das desigualdades e para o fortalecimento do atendimento humanizado. É uma estratégia que amplia o acesso e melhora a assistência em diferentes regiões do Estado”, afirma.
Cuidado humanizado e redução das desigualdades
Além da ampliação estrutural, a Rede Alyne reforça a humanização da assistência e o enfrentamento das desigualdades regionais e étnico-raciais relacionadas à mortalidade materna e infantil. A proposta prevê cuidado contínuo durante toda a gestação, parto, puerpério e primeira infância, com integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde.
O modelo também fortalece estratégias já consolidadas no SUS (Sistema Único de Saúde), como o Método Canguru, os bancos de leite humano, o acompanhamento multiprofissional e o monitoramento de indicadores de qualidade da assistência.
Atualmente, a SES segue orientando e incentivando os municípios a concluírem os processos de habilitação no SAIPS (Sistema de Apoio à Implementação de Políticas em Saúde), etapa necessária para formalização dos serviços e recebimento dos recursos federais.

André Lima, Comunicação SES
Fotos: Bruno Rezende/Arquivo SES
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