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Comex acelera mudanças e exige adaptação

O novo Comex já impõe mudanças, exigindo adaptação de processos e profissionais

01/10/2026 às 13h21
Por: Tribuna Popular Fonte: Agência Dino
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O Comércio Exterior brasileiro passa por uma transformação que já alcança sistemas, regras e critérios de conformidade. A DUIMP modifica a dinâmica da importação, enquanto a Reforma Tributária reorganiza a lógica dos tributos. Paralelamente, a Aduana avança em direção a modelos baseados em dados, gestão de risco, automação e controle contínuo.

Nesse cenário, atividades historicamente concentradas no preenchimento, conferência e transmissão de documentos começam a migrar para uma operação mais integrada e assistida por tecnologia.

A modernização do setor costuma ser associada à adoção de sistemas e à revisão de processos, mas também amplia a necessidade de adaptação dos profissionais. A tecnologia permite automatizar tarefas repetitivas, cruzar documentos, identificar divergências e apoiar decisões. Ao mesmo tempo, a evolução dos processos exige maior integração entre áreas e uma atuação menos concentrada em respostas emergenciais.

A conformidade também tende a se aproximar da própria operação. Os dados passam a ser avaliados ao longo da jornada, enquanto fiscalização, inteligência e gestão de riscos ganham relevância. Nesse ambiente, aumenta a necessidade de compreender o fluxo operacional, antecipar impactos e avaliar a qualidade das informações.

A adaptação diante das mudanças

A resistência às mudanças pode estar relacionada a diferentes fatores comportamentais. O cérebro humano tende a buscar previsibilidade e a reduzir situações de incerteza. Rotinas conhecidas demandam menos processamento, enquanto novos cenários exigem atenção, aprendizagem e revisão de referências.

Uma meta-análise publicada na Psychological Bulletin indicou que o estresse agudo pode prejudicar capacidades como memória de trabalho e flexibilidade cognitiva, importantes para lidar com novas informações e adaptar comportamentos.

Outro conceito estudado pela psicologia econômica é o viés do status quo. William Samuelson e Richard Zeckhauser identificaram a tendência de indivíduos favorecerem uma situação já existente, mesmo quando outras alternativas estão disponíveis. No ambiente corporativo, esse comportamento pode se manifestar na manutenção de processos conhecidos ou no adiamento da adoção de novas práticas.

Mudança de hábitos e aprendizagem

A relação entre adaptação e comportamento é discutida há séculos. Heráclito utilizou a metáfora do rio para representar a ideia de que a realidade está em constante transformação. Aristóteles, na Ética a Nicômaco, relacionou o desenvolvimento de determinadas capacidades à formação de hábitos.

No contexto do Comércio Exterior, isso pode envolver o acompanhamento antecipado de mudanças regulatórias, a experimentação de recursos de inteligência artificial em atividades reais, a análise de erros, a documentação de decisões e a troca de conhecimento.

Rubem Alves também abordou o risco de interpretar o novo a partir de referências antigas, por meio da expressão "óculos do velho". A metáfora pode ser relacionada à implementação de novas tecnologias sem uma revisão correspondente dos processos.

Em alguns casos, empresas adotam novas ferramentas para reproduzir fluxos anteriores, enquanto recursos de inteligência artificial são incorporados apenas para acelerar atividades que já eram realizadas manualmente. Nesses cenários, há ganho de eficiência, mas não necessariamente uma transformação do modelo de trabalho.

Competências humanas ganham relevância

À medida que sistemas ampliam sua capacidade de executar tarefas previsíveis e analisar grandes volumes de informação, atividades que dependem de julgamento, interpretação e interação humana tendem a ganhar maior relevância.

Nesse contexto, conhecimento técnico passa a ser combinado com competências como curiosidade, flexibilidade cognitiva, comunicação, colaboração e responsabilidade sobre a qualidade da informação.

A interação entre diferentes gerações também pode contribuir para esse processo. Profissionais mais jovens tendem a apresentar maior familiaridade com interfaces digitais e experimentação, enquanto profissionais mais experientes acumulam conhecimento sobre exceções, riscos e consequências operacionais.

Publicações recentes da OCDE também destacam que, na era da inteligência artificial, competências como pensamento crítico, capacidade de aprender, autorregulação, empatia, responsabilidade e colaboração continuam relevantes.

Desenvolvimento profissional e protagonismo

A transformação do Comércio Exterior também influencia a forma como profissionais acompanham sua própria evolução. Entre os comportamentos associados a esse processo estão acompanhar mudanças regulatórias, compreender seus impactos, conhecer novas ferramentas, participar de testes e projetos-piloto, medir resultados e identificar lacunas de formação.

As empresas também exercem um papel nesse processo. Ambientes de transformação exigem clareza sobre as mudanças em andamento, definição das capacidades necessárias e condições para aprendizagem e experimentação. Treinamentos pontuais podem contribuir, mas modelos de aprendizagem contínua e conectados à operação tendem a ampliar a capacidade de adaptação das equipes.

Um novo cenário para o Comércio Exterior

As transformações observadas no setor mostram movimentos de simplificação, compartilhamento de dados, conformidade cooperativa e fiscalização apoiada por sistemas.

Na iniciativa privada, ainda existem desafios relacionados a rotinas internas, documentos, integrações e processos decisórios. Por isso, a adoção de tecnologia representa apenas uma parte da transformação.

A inteligência artificial, por exemplo, pode reduzir o tempo destinado a atividades burocráticas e ampliar a capacidade de análise das equipes. Esse tempo pode ser direcionado a atividades como análise de dados, relacionamento, inovação, prevenção de riscos e melhoria contínua dos processos.

O novo cenário do Comércio Exterior combina sistemas inteligentes, processos integrados e profissionais preparados para interpretar informações, articular diferentes áreas e apoiar decisões. Nesse contexto, a transformação do setor deixa de ser apenas tecnológica ou regulatória e passa a envolver também o desenvolvimento das pessoas responsáveis por operar essas mudanças.

Por Helenice Sá Silva Lima – Chief Marketing Officer da eComex

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