
O cenário político de Mato Grosso do Sul vive um momento de intensa articulação e incertezas para o bloco governista. O grupo liderado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e pelo atual governador Eduardo Riedel (PP) enfrenta o desafio de definir o papel do Capitão Contar no tabuleiro eleitoral. O que inicialmente foi planejado como uma manobra de pacificação — trazendo Contar para o PL para evitar um novo embate direto como o ocorrido no segundo turno de 2022 — transformou-se em um fenômeno de "fogo amigo" que coloca em risco as pretensões majoritárias do grupo.
A preocupação ganhou novos contornos após a divulgação da última pesquisa do Instituto Ranking. Embora Reinaldo Azambuja ainda apareça na liderança, os números apontam um empate técnico com o próprio Capitão Contar e com o senador Nelsinho Trad (PSD). O dado mais alarmante para o ex-governador reside no "segundo voto", quesito em que ele recua para a terceira posição na preferência do eleitorado. Esse movimento sugere que a estratégia de migrar para o PL para blindar a reeleição de Riedel pode, ironicamente, resultar no sacrifício da vaga de Reinaldo no Senado, que antes era vista como consolidada.
Nos bastidores, o clima é de pressão. Capitão Contar tem buscado respaldo junto à presidência nacional do PL, ocupada por Valdemar da Costa Neto, para garantir sua candidatura ao Senado. Enquanto isso, aliados do governo buscam alternativas para convencê-lo a disputar uma vaga na Câmara Federal. O prazo final para essa definição é a janela partidária, em abril. Caso não haja acordo, Contar pode deixar o PL e se unir a outros nomes da ala bolsonarista, como João Henrique e Marcos Pollon, configurando uma disputa externa de alta voltagem contra o bloco governista.
A "novela" política deve ganhar capítulos decisivos nos próximos dias. O grupo de Reinaldo e Riedel terá que calcular o risco: manter Contar como um aliado interno que divide votos e espaço, ou deixá-lo partir para uma oposição declarada. Com a proximidade das convenções, a certeza é de que qualquer movimento brusco terá impacto direto na estabilidade da aliança e no sucesso das cadeiras que o governo almeja conquistar em 2026.
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