
O deputado federal Geraldo Resende (PSDB-MS) cobrou reação do STF (Supremo Tribunal Federal) diante da revelação da Polícia Federal de que o ministro Dias Toffoli — relator do caso Master no Supremo — teria tido conversas envolvendo transações financeiras com Daniel Vorcaro, presidente do banco, preso em novembro.
“É gravíssima essa investigação da Polícia Federal que mostra essa posição de envolvimento do ministro Toffoli. Acho que o próprio STF tem que se posicionar. E acredito que o presidente deverá fazê-lo numa velocidade rápida, ou seja, deverá fazê-lo rapidamente”, disse ao Jornal Midiamax na manhã desta quinta-feira (12).
O parlamentar avalia que o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal) precisa avançar na oficialização de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a condução das investigações contra o Banco Master.
“Os rumores em Brasília é que [o caso Master] envolve gente em várias esferas de poder. Acho que é grave. E a gente precisa, doa quem doer, fazer a investigação e trazer tudo isso à tona”, afirmou o deputado.
A Polícia Federal (PF) oficializou, na noite de quarta-feira (11), ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, um pedido de suspeição contra o ministro Dias Toffoli.
A medida busca afastar o magistrado da relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Perícias em aparelhos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro revelaram mensagens com menções diretas ao nome do ministro, além de diálogos entre eles.
A decisão da cúpula da PF de reportar o caso diretamente à presidência do STF ocorreu porque Toffoli, na condição de relator, seria o destinatário natural das novas informações da investigação.
Diante do conteúdo encontrado, o material foi encaminhado a Fachin, a quem cabe processar pedidos de suspeição contra membros da Corte. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reuniu-se com o presidente do Tribunal na segunda-feira para tratar do fluxo processual.
O pedido de afastamento amplia o debate sobre a permanência de Toffoli no caso, que já era questionada devido a transações comerciais entre seus familiares e fundos de investimentos ligados ao Master.
Investigações apontaram que os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, negociaram fatias milionárias no resort Tayaya, no Paraná, com um fundo da Reag Investimentos. Esta empresa é investigada por conexões com fundos do Banco Master e suspeitas de sonegação bilionária no setor de combustíveis.
Documentos da Junta Comercial indicam participações societárias dos irmãos que somam R$ 6,77 milhões em empresas ligadas ao empreendimento.
A sede da empresa Maridt Participações, que concentrava parte dessas ações, foi registrada na residência de José Eugênio em Marília (SP), embora a esposa deste tenha declarado desconhecer o uso do imóvel para fins empresariais ou qualquer vínculo com o resort.
Vale lembrar ainda que, em novembro de 2025, Toffoli viajou no mesmo jatinho em que estava um advogado ligado ao Banco Master, para assistir à final da Libertadores no Peru. Desde então, a atuação do ministro no caso vem sendo amplamente questionada.
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli classificou o pedido da Polícia Federal como baseado em “ilações”.
A defesa do ministro sustenta que a PF não possui legitimidade jurídica para solicitar a suspeição, uma vez que a instituição não é parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A manifestação oficial de Toffoli será encaminhada formalmente ao ministro Edson Fachin. A defesa de Daniel Vorcaro optou por não se manifestar sobre os novos achados.
Até o momento, não houve manifestação oficial da presidência do STF.
Mín. 22° Máx. 35°