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Após ilegalidade em contrato de R$ 600 mil, MPE coloca em xeque R$ 6,5 milhões gastos por 19 prefeituras

O Ministério Público (MPMS) identificou ilegalidades em um contrato de R$ 600 mil firmado sem licitação com a empresa AEG Assessoramento e Consultoria Empresarial e recomendou sua anulação imediata

23/01/2026 às 08h03
Por: Tribuna Popular Fonte: Investiga MS
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Uma recomendação da 5ª Promotoria de Justiça de Corumbá, expedida neste mês de janeiro, ameaça derrubar um modelo de terceirização que se alastrou pelas prefeituras de Mato Grosso do Sul. 

A investigação expôs o que parece ser apenas a ponta do iceberg: a mesma empresa opera uma rede de contratos idênticos em outras 18 cidades do estado, drenando mais de R$ 6,5 milhões por ano dos cofres municipais com serviços que, segundo o MP, são rotineiros e deveriam ser feitos por servidores da casa.

A farra da “Inexigibilidade”

O cerne da denúncia é o uso do artigo 74 da Lei de Licitações, que permite contratação direta em casos de “notória especialização”. As prefeituras alegam que o serviço é singular. O promotor Pedro de Oliveira Magalhães, no entanto, derrubou essa tese.

Para o MP, tarefas como “análise de retenções de IRRF” ou adequações a temas do STJ são atividades “corriqueiras”, sem a complexidade necessária para dispensar a concorrência. Ele parte do princípio que, se o serviço fosse tão único, não seria vendido como um “produto de prateleira” para quase 20 municípios simultaneamente.

R$ 50 mil x R$ 5 mil

 O MP classificou a manobra como “preterição arbitrária” de concursados. Em Corumbá, a empresa recebe R$ 50.000,00 mensais. Enquanto isso, um Auditor Fiscal de carreira, aprovado em concurso para fazer exatamente a mesma função, tem um salário base de apenas R$ 5.323,22.

Ou seja, a prefeitura paga 10 vezes mais para uma empresa externa do que pagaria para valorizar seu quadro técnico ou chamar os aprovados que aguardam nomeação.

A decisão em Corumbá cria um precedente para os gestores de cidades como Três Lagoas, Bonito e Miranda. Se a tese de “ilegalidade por falta de singularidade” for mantida, os prefeitos poderão ser obrigados a cancelar os contratos e responder por improbidade administrativa.

O levantamento mostra que até cidades pequenas, com orçamento apertado, entraram no “pacote”. Em Figueirão, o custo mensal passa de R$ 13 mil.

RAIO-X: O MAPA DOS CONTRATOS DA AEG EM MS

Levantamento feito no Portal da Transparência dos Municípios aponta faturamento milionário da AEG Assessoramento com objetos similares:

● Três Lagoas: R$ 751.366,80 

● Corumbá: R$ 600.000,00 (Alvo da recomendação)

● Bonito: R$ 493.318,56

● Iguatemi: R$ 472.850,52

● Água Clara: R$ 420.000,00

● Brasilândia: R$ 391.873,71

● Miranda: R$ 372.000,00 

● Sonora: R$ 360.000,00 

● Selvíria: R$ 360.000,00 

● Anastácio: R$ 302.289,00

● Batayporã: R$ 300.000,00

● Bodoquena: R$ 300.000,00

● Deodápolis: R$ 300.000,00

● Jardim: R$ 288.000,00

● Terenos: R$ 271.728,00

● Camapuã: R$ 257.317,00 

● Eldorado: R$ 228.245,59

● Jaraguari: R$ 168.000,00

● Figueirão: R$ 164.704,56

● São Gabriel do Oeste: R$ 125.942,76

Outro Lado

A reportagem do Investiga MS mantém o espaço aberto para que a empresa AEG e as prefeituras citadas prestem esclarecimentos sobre a similaridade dos contratos e a recomendação do Ministério Público.

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