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Chefão do PCC, Palermo mandou sequestrar a filha após sumiço de 100 mil dólares entregues ao ex-sogro

Audiência de instrução e julgamento sobre o sequestro acontece na próxima terça-feira (17)

10/03/2026 às 10h00
Por: Tribuna Popular Fonte: Midiamax
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Cativeiro onde jovem foi mantida no bairro Moreninhas em outubro de 2025. (Leonardo de França, Midiamax)
Cativeiro onde jovem foi mantida no bairro Moreninhas em outubro de 2025. (Leonardo de França, Midiamax)

O chefão do PCC (Primeiro Comando da Capital), Gerson Palermo, conhecido como ‘Velho’ e ‘Germano’, de 68 anos, teria ordenado o sequestro da própria filha após o sumiço de 100 mil dólares. O dinheiro havia sido entregue por ele ao ex-sogro em 2015.

A jovem, de 25 anos, foi sequestrada e torturada em Campo Grande, em outubro do ano passado. Ela foi resgatada por policiais civis do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) no dia 25 daquele mês.

Gerson Palermo, de 68 anos, e Reinaldo Silva de Farias, de 35 anos, foram denunciados pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Reinaldo foi preso na época do crime, mas teve a prisão revogada e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Palermo — condenado a mais de 100 anos de prisão — está foragido desde abril de 2020.

Atualmente, Reinaldo está proibido de se aproximar da vítima e seus familiares, devendo manter distância mínima de 300 metros.

Em janeiro deste ano, a juiza de Direito, Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, autorizou que a jovem sequestrada e o marido dela atuem como assistentes de acusação no processo. Na próxima terça-feira (17), será realizada uma audiência de instrução e julgamento do caso.

Sumiço de 100 mil dólares

As investigações revelaram que a motivação do crime teria sido uma entrega de U$ 100 mil dólares feita por Palermo ao ex-sogro. Ele teria ordenado o idoso a esconder o dinheiro em um cano de PVC. Assim, o ex-sogro, pedreiro à época, teria cavado o piso para guardar o cano e os dólares teriam permanecido no local por aproximadamente dez anos.

O sumiço do dinheiro veio à tona em maio do ano passado, quando Gerson entrou em contato com o ex-sogro exigindo os dólares de volta. O idoso teria retornado ao imóvel, onde atualmente mora a neta — filha de Palermo —, mas ao remover o cano não encontrou o dinheiro.

Ao informar o ex-genro sobre o desaparecimento dos U$ 100 mil dólares, Palermo teria planejado o sequestro da filha para extorquir o valor do idoso, da jovem e do marido dela.

Sequestro

Segundo a denúncia do MPMS, a jovem foi mantida em cárcere privado na Moreninha IV enquanto Reinaldo agia conforme determinação de Palermo, privando a liberdade da filha dele sob violência e ameaças. Na época, o Jornal Midiamax noticiou que a jovem foi torturada e que o pai dela havia mandado que os autores cortassem a orelha e a língua da vítima.

A denúncia aponta que Gerson entrou em contato com a filha naquele 24 de outubro e alegou que estava enviando uma pessoa para entregar a ela um dinheiro. O valor seria destinado ao custeio de cuidados com a saúde da avó da jovem.

Assim, a mando de Palermo, um terceiro envolvido entrou em contato com a jovem via telefone e orientou a encontrá-lo em um carro, de cor branca, estacionado na Rua 14 de Julho. Ao chegar até o veículo, dois homens armados renderam a jovem, anunciaram o sequestro e disseram que estavam no local para receber 200 mil euros que Palermo lhes devia.

No caminho até o cativeiro na região das Moreninhas, os criminosos obrigaram a jovem a ficar de cabeça baixa, enquanto a agrediam. Eles forçaram a arma contra a nuca, boca e a cintura da vítima, além de exigir várias vezes que a jovem revelasse a localização do dinheiro do pai.

A jovem também teve o Iphone 16 e o MacBook roubado pelos criminosos, sendo que um deles queria jogar o celular pela janela. O comparsa interviu e afirmou que o ‘Velho’ havia ordenado que os pertences fossem devolvidos em local específico.

Ainda no dia 24 de outubro, por volta das 18h30, Reinaldo ligou para o marido da jovem, afirmou que a esposa dele havia sido sequestrada e exigiu falar com o avô materno dela. Na ligação, Reinaldo ameaçou a vida da vítima e demais parentes, exigindo a entrega do dinheiro que, segundo ele, era de Palermo.

Foto de jovem amarrada foi enviada para o marido

Pouco mais de uma hora depois, Reinaldo mandou uma foto da jovem ao marido dela e depois apagou a mensagem. Na imagem, que o marido conseguiu fotografar antes da exclusão, a jovem estava amarrada no chão do cativeiro.

Já às 21h43, Reinaldo enviou um áudio da jovem ao marido dela, despedindo-se e afirmando que seria o último áudio que ele ouviria da esposa. Em seguida, Palermo ligou para o genro e pediu para falar com o avô materno da filha.

Na ligação, o avô foi ameaçado pelo Palermo, que afirmou saber que o mesmo estava com uma quantia volumosa em dinheiro dele. Ele exigiu que o dinheiro fosse devolvido imediatamente e, caso não fosse devolvido, mataria a jovem. Em seguida, mataria o marido dela.

Após ser resgatada, a jovem, seu avô materno e o marido dela negaram a posse de qualquer dinheiro. O trio disse que não sabia o destino do dinheiro mencionado por Gerson e seus comparsas.

Sequestradores mandaram jovem mentir que foi assaltada

Horas depois, os sequestradores colocaram a jovem em um carro com uma bolsa sobre a cabeça. Por volta das 23h, deixaram a vítima em uma área desabitada no bairro Moreninhas. Contudo, no trajeto, os criminosos ameaçaram “terminar o serviço” e matar a jovem e o marido dela, caso acionasse a polícia.

Ao ser orientada a dizer que teria sido assaltada, a vítima conseguiu um celular para avisar o marido sobre o local onde estava. No dia seguinte, a jovem pediu ao pai que o celular e seu computador portátil fossem devolvidos, pois caso contrário, iria acionar a polícia.

Assim, Gerson também teria entrado em contato com a mãe da jovem para combinar a forma como os pertences seriam devolvidos. Ela indicou um açougue próximo de casa como local de entrega. O celular e o computador portátil foram devolvidos através de um motoentregador.

Equipes do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) monitoraram a jovem até o açougue e, quando o motoentregador chegou, os policiais o abordaram.

‘Chefão’ do PCC está foragido há cinco anos

O “chefão” do PCC está foragido desde abril de 2020. Ele foi condenado a mais de 100 anos de prisão e se beneficiou com prisão domiciliar. Na época, o narcotraficante passou a usar tornozeleira eletrônica, em razão de integrar supostamente o grupo de risco da covid, e rompeu a tornozeleira.

Ele estava na casa da esposa quando fugiu, por volta das 20h40, quebrando a tornozeleira eletrônica que auxiliava no monitoramento. Naquela época, a suspeita era de que o narcotraficante teria ido para a Bolívia, já que teria uma casa em Corumbá.

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